| Entrevista introspectiva |





O que é a Inspire?      
É uma empresa de comunicação para o desenvolvimento sustentável.

O que é isso?
É uma empresa que desenvolve projectos de comunicação com o objectivo de promover o desenvolvimento sustentável.

E o que é que vocês entendem por promover O desenvolvimento sustentável?
Tudo o que possa contribuir para mudar comportamentos e inverter esta tendência que nos leva a um desgaste total dos recursos da terra, à incapacidade de alimentar toda a gente, aos conflitos crescentes…

Como por exemplo?
Como por exemplo projectos de comunicação escolar para desenvolver uma consciência sobre estes temas nas novas gerações que os leve a agir de outra forma; projectos de sensibilização para públicos internos e externos; ou projectos de comunicação sobre as práticas das empresas nas áreas da responsabilidade social – estes são importantes de um ponto de vista de transparência, mas também como uma forma de estimular a adopção de boas práticas por parte de outras empresas.

Quando falam nesses temas, que temas são esses? O desenvolvimento sustentável em si?
Também, mas às vezes não se comunica o desenvolvimento sustentável como um todo, há aspectos específicos, num determinado contexto, ou para uma determinada empresa, sobre os quais pode ser importante e pertinente comunicar em função até do que são os seus desafios em termos de sustentabilidade: o consumo sustentável, o turismo sustentável, a construção sustentável…
Há também aspectos que fazem parte da sustentabilidade sobre os quais, pela sua importância e impacte no dia-a-dia das pessoas, se desenvolvem acções de comunicação, como a alimentação equilibrada (a forma como comemos é insustentável), a diversidade, a solidariedade que nos leve a pensar não só no nosso pequeno mundo mas no mundo enquanto um local de todos.

Então a Inspire desenvolve conteúdos?
Essencialmente conteúdos sim, mas isso acontece muitas vezes depois de criada uma estratégia de comunicação com as diferentes partes interessadas de uma organização. Ou seja, ajudamos as empresas a definir o que comunicar, como comunicar e a quem comunicar.

Como?
Começamos por ajudar as empresas a reflectir nos aspectos sobre os quais seria importante comunicarem, isso diferencia-nos de uma empresa puramente de conteúdos. Nós chegamos antes, na maior parte dos casos não nos dizem: precisamos que nos desenvolvam um conteúdo sobre isto, o que nos pedem é que ajudemos a pensar que conteúdos seriam pertinente desenvolver, nós fazemos toda a parte de investigação, analisamos o que fazem as outras empresas, o que é que as organizações de referência dizem sobre o sector da empresa que nos contrata e elaboramos a nossa recomendação de conteúdos e de meios.

A Inspire também desenvolve meios?
Sim, enquanto Inspire e através de parcerias. Consideramos a escolha de meios determinante para o sucesso da comunicação – é preciso conhecimento e criatividade – por isso dedicamos grande parte do nosso tempo a investigar o que podem ser os meios mais eficientes para não só informar e sensibilizar, mas também levar as pessoas a uma efectiva mudança de pensamento e comportamentos.
Pensamos que é importante fazer com que as pessoas sintam a questão da sustentabilidade com toda a sua problemática, de forma a efectivamente passar à acção. Não é nada fácil.
Como ultrapassar as resistências a esta enorme mudança necessária é algo que nos preocupa, foi assim, por exemplo, que surgiu o teatro, como uma forma de sensibilizar para o desenvolvimento sustentável, mas também de ultrapassar resistências permitindo uma identificação de quem assiste com o que dizem os actores e abrindo as portas a um diálogo sobre estas questões, fundamental para promover a mudança.

Pode-se dizer que a comunicação é o que acontece depois de algo ter acontecido? Nesse contexto o que a Inspire faz dentro de uma estratégia de sustentabilidade é uma gota no oceano, não?
Achamos que não, mas de facto é difícil delimitar fronteiras.
Antes de avançar mais nesse raciocínio gostaríamos só de contestar a primeira parte da pergunta, isso da comunicação ser o que acontece depois de algo ter acontecido. No contexto da responsabilidade social não é bem assim. Às vezes comunicar é a expressão da própria responsabilidade social, tem a ver com transparência e com abertura, aspecto indissociável de qualquer estratégia nesse âmbito.
Uma empresa para começar um projecto tem de pelo menos comunicar internamente sobre ele, envolver as pessoas. Para definir os seus princípios e valores tem de ouvir as partes interessadas, pelo menos as internas. Uma definição de princípios e valores feita unilateralmente à porta fechada pela administração, claramente não é uma definição feita de forma socialmente responsável.
Então, temos aqui que a comunicação no contexto da responsabilidade social é muitas vezes o contrário, é aquilo que acontece antes das coisas acontecerem, antes de desenharmos uma estratégia, antes de definirmos os aspectos fundamentais de intervenção.
A Inspire surge nesse momento antes. Depois, de facto, não somos especialistas na definição, tratamento e implementação de impactes económicos, ambientais e mesmo sociais – podemos eventualmente também participar nessa parte com parceiros - e aparecemos de novo na comunicação do que foi feito, de uma forma clara, perceptível e adequada às partes interessadas que a organização considera prioritárias.
Podemos dizer que a comunicação está presente ao longo de todo o processo.
Nesta perspectiva achamos que não é uma gota no oceano o que fazemos.

Um dos aspectos mais importantes da comunicação das empresas, na perspectiva da responsabilidade social, é a prestação de contas. A Inspire faz relatórios de sustentabilidade?
Fazemos, mas os relatórios são só uma das formas das empresas prestarem contas. As empresas devem prestar contas da forma e através dos meios que forem mais adequados às suas partes interessadas.
Evidentemente que é importante e mesmo fundamental para uma empresa que está desenvolver o seu percurso em termos de sustentabilidade fazer um relatório e se possível de acordo com o GRI, até por uma questão de transparência e de comparabilidade (porque essa comparabilidade, como já referimos, é uma das coisas que mais estimula o crescimento do desenvolvimento sustentável), mas não é a única via. Muitas vezes não é o meio mais adequado para determinadas partes interessadas quer em termos de forma quer em termos de periodicidade.

O que é que aconselham então para as empresas no que toca a prestação de contas?
Voltando às linhas directrizes da GRI, achamos muito importante – por vezes mesmo mais que os indicadores que podem estar mais ou menos adaptados ao contexto de uma empresa – o respeito pelos princípios: princípios como a abrangência, a inclusão das partes interessadas e dos temas que estas consideram importantes na prestação de contas e o equilíbrio, falar do que correu bem, mas também do que correu mal, parecem-nos aspectos fulcrais e garantes da seriedade, se assim se pode dizer, de um relatório.
Parece-nos também importante que para além da versão completa do relatório sejam feitas versões resumidas em função dos públicos a que se pretende chegar.
Aliás, hoje em dia, com as novas tecnologias há soluções muito boas como a da Nike que tem o seu relatório no site através de um índice interactivo que permite a cada pessoa aceder aos pontos que lhe interessam e construir um relatório à sua medida.

Então, a adequação do relatório aos públicos é para vocês um aspecto crucial.
Sim, quando analisamos um relatório, temos em atenção três aspectos fundamentais: o conteúdo (a definição dos desafios, o desempenho e inovação em termos de responsabilidade social, a abrangência e o equilíbrio), a linguagem usada, a maior ou menor clareza, o uso de termos técnicos, o estilo e o tratamento gráfico, o uso de tabelas e gráficos para simplificar a leitura, a pertinência editorial das imagens utilizadas.

Estivemos até aqui a falar do que a Inspire faz, mas o que é que querem fazer no futuro?
Gostaríamos de desenvolver mais peças de teatro sobre temas ligados à sustentabilidade, o teatro é de facto um meio poderosíssimo.
Gostaríamos de descobrir novas formas de comunicar sobre este tema, aliás pesquisar e tentar descobrir novos caminhos para comunicar é uma das coisas que adoramos fazer.
Gostaríamos de poder ajudar mais (e de forma mais eficiente) as pessoas e as empresas a pensar e a encontrar o seu caminho para a sustentabilidade.
Gostaríamos de descobrir uma forma de conseguir potenciar uma reflexão mais aprofundada e mais produtiva sobre temas como a gestão do tempo. Achamos que a má gestão do tempo e o excesso de tempo que as pessoas passam a trabalhar é uma questão com grandes impactes no bem-estar de todos nós, com consequências para a forma como nos relacionamos connosco próprios, com os outros e com o mundo.
Gostaríamos de falar, de escrever e de comunicar sobre temas sobre os quais ainda não o fizemos, temas como a auto-estima, a coragem ou a responsabilidade individual.
Gostaríamos de fazer projectos que trouxessem para a ribalta temas e pessoas que não valorizamos suficientemente, como as pessoas idosas que têm tantas experiências para partilhar ou os nossos imigrantes que são, depois dos Descobrimentos, a grande expressão do nosso espírito empreendedor, temos por eles a maior admiração.
Gostaríamos de desenvolver mais projectos de longo prazo, construir com mais frequência um caminho com os nossos clientes e não apenas actuar pontualmente.

Como é que gostariam que as empresas vos vissem?
Gostaríamos que nos vissem como parceiros, como uma empresa composta por pessoas profundamente empenhadas no desenvolvimento sustentável. Como uma empresa muito exigente consigo própria e que privilegia a investigação e a seriedade dos projectos.
Gostaríamos que as empresas pensassem na Inspire, mesmo tendo uma agência de publicidade, para poder analisar as campanhas em cruzamento com os desafios do desenvolvimento sustentável e em termos de coerência com a sua política.
Que pensassem em nós mesmo tendo uma empresa de consultoria para a sua estratégia de sustentabilidade, para as ajudar a ouvir as partes interessadas e a comunicar com elas.
Gostaríamos que pensassem em nós sempre que pretendem de alguma forma desenvolver uma comunicação pedagógica ou informativa seja com públicos infantis e juvenis, seja com o grande público ou mesmo com públicos internos.

Gostaríamos que pensassem em nós como a referência na comunicação para o desenvolvimento sustentável.

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